28/08/2020

Cemig combina armazenamento de energia com geração distribuída

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Brasil Energia 

Inciativa integra P&D da Aneel, com participação da Alsol, UFPB e IFRN

A Cemig, Alsol, UFPB e IFRN, concluíram a instalação de baterias de chumbo ácido em uma das etapas de projeto do P&D 721 da Aneel, que estuda arranjos técnicos e comerciais para a inserção de sistemas de armazenamento de energia em combinação com sistemas de geração distribuída nas redes de distribuição.

O objetivo com a tecnologia é otimizar os custos dos sistemas de armazenamento de energia implantados pelo projeto.

O engenheiro Alécio de Melo Oliveira, gerente do projeto por parte da Cemig, explica que dentro do escopo foram implantados uma usina fotovoltaica – a primeira deste tipo no país com capacidade de armazenamento da ordem de 1,5 MWh – e três sistemas de armazenamento de energia no município de Uberlândia.

“A usina fotovoltaica já se encontra em operação e é composta por mais de 1.500 placas solares, totalizando 549 kWp, com potencial de geração de aproximadamente 640 mil kWh/ano, energia suficiente para atender pelo menos 350 residências, com consumo médio de 150 kWh/mês, por um ano”, destaca.

Uma das finalidades da usina é o desenvolvimento de um novo modelo de negócio, a partir de plantas híbridas que combinam geração fotovoltaica e sistemas de armazenamentos em unidades consumidoras, o que garante a qualidade da distribuição de energia, especialmente em horários de maior demanda.

Antes do projeto, todas as usinas desta modalidade em funcionamento no Brasil forneciam energia para a rede apenas durante o dia, suspendendo o fornecimento no momento em que o sistema é mais demandado.

Com a nova usina, essa lógica é invertida, já que ela mescla o envio da energia para rede e o armazenamento ao longo do dia com a presença do sol. A partir das 18h, a tecnologia permite que seja injetado na rede seu potencial de 1,58 MWh de energia por até três horas, sendo a potência injetada limitada em 1 MVA (megawatt-ampere).

Armazenamento de energia

Os sistemas de armazenamento que fazem parte do projeto totalizam 1,58 MWh. Um utiliza baterias de lítio com potência máxima de 1,26 MVA e capacidade de armazenamento de 1,36 MWh e dois utilizam baterias de chumbo ácido, totalizando 225 kWh de energia.

Os dois sistemas de chumbo ácido permitirão definir, em horários pré-estabelecidos, se será injetada energia gerada pela usina fotovoltaica ou proveniente das baterias.

“O objetivo desta configuração é aproveitar os inversores fotovoltaicos existentes, otimizando o custo da implantação de sistemas de armazenamento, evitando a necessidade de instalação de inversores híbridos”, explica o engenheiro.

Os sistemas possuem o objetivo de testar o desempenho das baterias de chumbo ácido. Com isso, será verificada a viabilidade de aplicação de baterias provenientes de datacenters em sistemas de armazenamento a serem utilizados no sistema elétrico.

“Estes sistemas ainda estão sendo operados manualmente, mas encontra-se em desenvolvimento um sistema SCADA, para a operação remota com várias funcionalidades automatizadas”, completa Oliveira.

O investimento no projeto, iniciado em 2017 e com previsão de conclusão em 2021, é de cerca de R$ 22 milhões, sendo mais de R$ 17 milhões financiados pela Cemig, por meio de recursos do programa de P&D regulado pela Aneel.
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