15/09/2020

Cuiabá desponta como a 4ª cidade que mais investe em energia solar no país

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Centro Oeste Popular 

O sol escaldante pode ser fonte de riqueza. As condições climáticas extremas de Cuiabá, que neste mês bateu recorde de maior temperatura nos últimos 100 anos, aliada à alta incidência de luz, são fatores favoráveis à expansão da energia fotovoltaica solar. Com 7 megawatts (MW) produzidos, a cidade desbancou Brasília, Goiânia, Teresina e até Belo Horizonte, ficando em 4º lugar na produção de energia, o equivalente a 1% da potência nacional.

Conforme o Dr. em Engenharia e Tecnologia de Materiais, Rodrigo Lopes Sauaia, cofundador e presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), mesmo durante a pandemia, o setor cresceu mais de 40% e tem sido uma das respostas para a reconstrução sustentável da economia brasileira, com a expectativa de “reforma tributária verde” e programas nos estados e municípios.

“Hoje, nove em cada dez brasileiros gostariam de produzir a sua própria eletricidade renovável, por meio de sistemas solares fotovoltaicos e outras tecnologias, enquanto 84% dos consumidores consideram a tarifa cobrada na conta de luz cara ou muito cara no país. Isso reflete a preocupação da sociedade com o desenvolvimento econômico competitivo e sustentável no pós-pandemia”, avalia o especialista.

Dados da ABSOLAR mostram um cenário favorável para Mato Grosso, que é o 5º estado com mais projetos na área; e cuja produção de 211,4 MW representa 6,2% de toda geração nacional distribuída. “Além disso, o estado contabilizou R$ 1 bilhão em investimentos e gerou 6,3 mil empregos. No Brasil, foram investidos mais de R$ 31,8 bilhões e gerados 182 mil empregos desde 2012, só neste ano, até julho, foram 47 mil novos postos de trabalho em meio à crise da saúde”.

Para o professor João Pedro Valente, presidente licenciado do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MT), a transformação do cenário de produção de energia elétrica no estado nos últimos 20 anos é extremamente positivo, pois saiu de uma condição de “dependência” para superávit com exportação do excedente. Mais de 95% dessa energia vem de fontes renováveis, das quais ainda se destaca a de origem hídrica.

“Temos um potencial imenso para explorar diversas áreas de produção de energia, como a biomassa, a energia solar fotovoltaica e também o gás natural, que precisam de programas de governo e podem ser desenvolvidos a partir de parcerias com a sociedade civil organizada (como Fiemt, Sebrae, Famato), universidades e a iniciativa privada para fomentar a produção e a distribuição mais acessível às indústrias e ao comércio, por exemplo”, explicou Valentem, que conduziu o debate com especialistas em sua rede social no dia 10 de setembro e aposta em um Crea-MT protagonista.

O professor Dr. em Engenharia Elétrica, Evandro Soares, reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), frisou que a energia solar é o futuro e que Mato Grosso tem grande potencial de produção no cenário brasileiro, portanto, há necessidade de um “marco legal” que ofereça respaldo aos investimentos e promova a universalização do acesso a partir de linhas de créditos e outras facilidades.

“Temos que melhorar a divulgação dessas informações, para que os cidadãos saibam as vantagens econômicas e ambientais da energia solar, que também representa novos postos de trabalho e maior arrecadação ao governo. Na universidade temos um grupo de excelência à disposição, o Niepe (Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético), para ajudar neste e em outros projetos de geração de energia limpa e renovável”.

Trabalho e negócios – Entre os 6,3 mil empregos gerados em Mato Grosso no setor da energia solar, mais da metade são na área de instalação, o restante se divide entre engenheiros de produção, engenheiros eletricistas, civis e ambientais, responsáveis por análises e projetos estruturais das edificações que receberão o sistema, preparação de terrenos, licenciamento ambiental e gestão do negócio. “Do total de 15 mil empresas no país, a maioria começou com um ou dois engenheiros em sociedade”.

Avanço histórico – Se em 2012 a potência instalada no país todo era de 7 MW, em 2020, o Brasil alcançou a marca de 6 GW, ou 6.000 MW. O país saltou do 27º para o 16º lugar do ranking mundial de energia fotovoltaica feito pela International Renewable Energy Agency (IRENA) e está entre os 20 países líderes em capacidade instalada. Apesar desse crescimento, a fonte solar ainda representa menos de 2% da matriz elétrica brasileira, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Sem dúvida precisamos de uma política de estado para atender o setor, pois a energia solar é a bola da vez na economia”, finalizou professor.
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