06/04/2018

Financiamento para pessoa física deve impulsionar setor

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Diário do Nordeste Online

Mercado que vem crescendo a taxas de mais de 100% ao ano deve potencializar as vendas já neste ano

Com a abertura do programa FNE Sol de para pessoa física, com linhas de crédito destinada à instalação de placas fotovoltaicas, as empresas do setor de mini e microgeração solar no Estado esperam obter um crescimento exponencial na de manda já neste ano. "Essa medida é um novo alento para o desenvolvimento desse mercado, que ainda é pequeno, mas que vem crescendo mais de 100% ao ano", diz Jurandir Picanço, consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará (CS Renováveis-CE). O crédito será disponibilizado pelo Banco do Nordeste (BNB).

Segundo Lucas de Melo, gerente comercial da empresa cearense Sou Energy, no início do ano, a empresa projetava um crescimento de 200%, na comparação com o resultado de 2017, mas agora, com a nova linha de crédito, "a gente não tem nem como mensurar, porque muitos clientes nossos já têm os projetos e faltava apenas resolver essa questão do financiamento", ele diz. A Sou Energy atua nacionalmente na distribuição e venda de equipamentos fotovoltaicos de alta eficiência.

A medida, anunciada pelo governo federal na quarta-feira (4), atende as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Linhas de crédito têm quase R$ 3,2 bilhões disponíveis para investimentos, por meio dos fundos constitucionais para cada região. Será possível financiar todos os bens e serviços necessários à viabilização do projeto, como a aquisição das placas fotovoltaicas e a instalação. A expectativa do Ministério da Integração Nacional é que sejam realizadas pelo menos 10 mil operações este ano.

FNE Sol

Melo diz que, mesmo quando financiava apenas projetos para pessoa jurídica, a partir de 2016, o FNE Sol foi responsável por um grande acréscimo no volume de projetos. E desde então, cerca de 70% dos clientes da empresa utilizam a linha do BNB. "Agora, a gente vê uma grande oportunidade não só para o mercado como para as pessoas. Foi uma vitória para o brasileiro, que vai poder contar com uma linha de crédito com uma taxa de juro excelente, na casa dos 6%. Acredito que a grande maioria dos nossos clientes vai aderir a essa linha", diz.

Segundo o Ministério da Integração, na região Nordeste, que dispõe do maior recurso solar do Brasil, os juros anuais serão de 6,24% e o pagamento do crédito poderá ser feito em até 12 anos, incluindo quatro de carência. "Essa medida vai permitir que se utilize o menor juro do mercado para o financiamento de projetos para pessoa física, que, por sua vez, é a maior parte do setor de energiadistribuída", diz Jurandir Picanço. "E nesse caso, o consumidor vai ter um financiamento compatível com o que se paga na conta de energia. Então é um estímulo muito grande para todos".

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ceará conta com 852 unidades consumidoras de geração distribuída, correspondendo a 23,7 MW de potência instalada. Com isso, o Estado é o quarto em capacidade de geração, e o sétimo em número de unidades. E das unidades, 70% (599) são residenciais.

Condições

Hoje, o FNE Sol do BNB disponibiliza linhas de crédito para o financiamento de sistemas de micro e minigeração distribuída de energia para consumo próprio. O programa abrange todos os componentes dos sistemas de geração, além de sua instalação, com prazos de 12 anos, com carência de 6 meses a 1 ano. A taxa é a partir de 6,65% para micro, pequeno e pequeno-médio produtor. A linha contempla até 100% do investimento, dependendo do porte do cliente, localização e garantias.

"O mais importante dessa medida é que as pessoas vão ter energia a um custo mais baixo, como já acontece em países da Europa, por exemplo, sem ter tanta surpresa com bandeiras tarifárias", diz Picanço. "Além disso, os equipamentos não se desgastam com facilidade e têm uma vida útil muito longa. Até hoje, o custo desse recurso para pessoa física era muito elevado".

Investimentos

Segundo o presidente do BNB, Romildo Rolim, o banco já investiu mais de R$ 65 milhões para a micro e minigeração de energia. E somente para 2018, o BNB dispõe de R$ 30 bilhões em recursos do FNE, sendo R$ 14,8 bilhões para obras de infraestrutura. Em março, mais de R$ 4 bilhões já foram contratados para as diversas atividades econômicas, com R$ 2 bilhões para projetos de infraestrutura.

Demanda

Dados de uma pesquisa do DataFolha, de 2016, apontaram que aproximadamente 80% dos brasileiros desejavam energia solar fotovoltaica em casa, desde que tivessem acesso a financiamento competitivo. As condições cobradas por outras instituições financeiras, no entanto, inviabilizavam o investimento, com taxas de juros elevadas e prazos de amortização e carência incompatíveis. Conforme a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o financiamento é visto como o maior gargalo de mercado por mais de 75% das empresas do setor fotovoltaico. O Brasil tem hoje 24.565 sistemas de mini ou microgeração distribuída, dos quais 99% baseados em placas fotovoltaicas.
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