22/01/2021

Geladeiras solares serão aliadas da vacinação contra a COVID em comunidades distantes e pobres da África

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Localizado no nordeste da África, o Sudão do Sul é um dos países mais pobres do mundo. Com uma altíssima taxa de mortalidade infantil e materna, tem uma expectativa média de vida de 57 anos. Dos seus 11 milhões de habitantes e 90% deles vivendo em zona rural, apenas 28% tem acesso a uma rede de distribuição de eletricidade. Como será possível então garantir a imunização de seus moradores contra a COVID-19 quando a vacina chegar lá?

Durante todo o processo de transporte e armazenamento vacinas precisam ser mantidas em temperaturas pré-determinadas para que não percam sua eficácia. Para a maioria das vacinas já existentes atualmente, e também, duas das já aprovadas contra a COVID, a CoronaVac, da chinesa Sinovac, e da Oxford/AstraZeneca, a refrigeração deve ser mantida entre 2 a 8 graus.

Para que isso seja possível em países de baixa renda da África, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com a iniciativa global de vacinação Gavi Covax AMC, estão investindo na compra e instalação de geladeiras solares, que funcionam a partir da energia gerada através de painéis fotovoltaicos em telhados.

“A África Ocidental e Central é um dos ambientes mais complexos que você encontrará”, diz Jean-Cedric Meeus, chefe de Fornecimento do UNICEF para a região. “Estamos lidando com o desafio de entregar vacinas COVID-19 nas principais cidades, mas também em vilarejos extremamente remotos. Estamos nos preparando para todos os cenários”.

Instalação de painel solar em Serra Leoa

Desde 2018 o Unicef vem investindo no que chama de “cold chain”, a “cadeia gelada”, na tradução para o português, para o armazenamento de vacinas. Como há muitas décadas a organização atua na imunização infantil de rotina em lugares como a África Subsaariana, já possui uma rede de distribuição de vacinas e passou anos trabalhando para melhorá-la – incluindo o desafio de como manter as vacinas na temperatura certa.

“Quando os primeiros sinais da pandemia começaram, já começamos a nos mobilizar e nos preparar porque sabíamos que estaríamos desempenhando algum tipo de papel”, revelou Michelle Seidel, especialista do UNICEF. Como a organização lida com imunizações infantis de rotina em lugares como a África Subsaariana, ela já tem uma rede de distribuição de vacinas e passou anos trabalhando para melhorá-la – incluindo o desafio de como manter as vacinas resfriadas.

A geladeira solar em um posto de saúde no Sudão do Sul

No passado, muitos locais de vacinação nesses países usavam diesel para poder ter eletricidade e manter as geladeiras funcionando. Além de inflamável, o combustível era de difícil acesso e sua falta poderia comprometer a validade das vacinas.

“Mapeamos onde faltava o equipamento necessário e começamos a instalar quase 20 mil geladeiras movidas a energia solar, desde o litoral até as florestas do interior. É um grande trunfo ter países equipados assim e continuaremos a implementá-los ”, afirma Jean-Cedric.

Uma das modificações tecnológicas feitas recentemente foi eliminar o uso de baterias para estocar a energia produzida pelos painéis solares. Nos novos modelos, a eletricidade é armazenada diretamente na geladeira.

Assegurar vacinas para todos

Para garantir que a vacina contra a COVID-19 chegue a todos os cantos do planeta e possamos combater a pandemia do novo coronavírus, foi formada uma coalizão no ano passado de 190 países: a Covax.

A iniciativa é desenvolvida com a Fundação Gavi, a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) e contará com o apoio logístico da Unicef, que é a maior compradora global de vacinas do mundo.

O objetivo da Covax é assegurar que as vacinas aprovadas para uso sejam distribuídas em 90 países com menos possibilidades econômicas ou sistemas de saúde mais fracos e outras tantas para nações em desenvolvimento. A estimativa é que sejam entregues 2 bilhões de doses de vacina até o final de 2021, assim como seringas para a aplicação.

Apesar de os países mais ricos concentrarem apenas 14% da população global, pouco mais de 50% das vacinas contra a COVID-19 disponíveis atualmente no mundo foram compradas por essas nações. O alerta foi dado pela People’s Vaccine Alliance, que afirma que em cerca de 70 países, somente uma em cada dez pessoas será imunizada em 2021.

“A ciência está tendo sucesso, mas a solidariedade está falhando”, alertou recentemente António Guterres, secretário geral das Nações Unidas. “As vacinas estão alcançando países de alta renda rapidamente, enquanto os mais pobres do mundo não têm nenhuma”.

Mekdes, uma das muitas agentes de vacinação do Unicef na África

*Com informações da UNICEF e da Fast Company
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