02/09/2020

Solar e eólica atingem 67% da capacidade de geração de energia adicionada

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Fotovoltaicas assumem a liderança entre as tecnologias de geração de energia elétrica instaladas no mundo em 2019;

45% da capacidade adicionada foi de energia solar, com um terço de todos os países fazendo desta a sua primeira escolha

As fotovoltaicas (PV) dominaram o setor como a principal nova fonte de tecnologia de geração de energia adicionada às redes de dezenas de países incluindo Austrália, Itália, Namíbia, Uruguai e EUA, em 2019. O recorde de 118 gigawatts de capacidade nova construída garantiu a pole position à energia solar, que deixou todas as outras tecnologias para trás em termos de novas instalações e foi a tecnologia mais popular implementada em um terço dos países, de acordo com dados abrangentes e exclusivos compilados pela empresa de pesquisa BloombergNEF (BNEF).

Ao todo, 81 países construíram instalações de energia solar de pelo menos 1 megawatt no último ano e esta tecnologia foi responsável por quase metade de toda a capacidade de geração de energia nova construída no mundo.

As conclusões são destaque no recente Power Transition Trends 2020, relatório e ferramenta online da BNEF, que acompanha dados detalhados sobre capacidade instalada e geração de energia ao longo da última década. Os dados compilados pelos analistas da BNEF são obtidos diretamente de fontes primárias dos países em pauta e são os mais atuais até 2019.

O relatório destaca os enormes avanços da energia solar na última década, que saltou de meros 43,7 GW em termos da capacidade total instalada em 2010 para 651GW a partir do final de 2019. A energia solar também ultrapassou a eólica (644GW) e se tornou a quarta maior fonte de energia elétrica em operação em 2019, atrás apenas do carvão (2.089GW), do gás (1.812GW) e da hidro (1.160GW). A capacidade instalada de energia eólica e solar no mundo hoje é maior do que o total instalado de todas as tecnologias somadas, limpas ou sujas, nos EUA.

“Quedas significativas nos custos dos equipamentos solares, isto é, os módulos que são colocados nos telhados e em grandes usinas, tornaram esta tecnologia amplamente disponível para residências, empresas e redes”, disse Luiza Demôro, analista da BNEF e autora principal do estudo. “A energia solar fotovoltaica é onipresente e se tornou um fenômeno mundial.”

Em termos de geração, as contribuições da energia solar são consideravelmente menores devido à menor capacidade de produção da PV em relação aos combustíveis fósseis. Em 2019, a energia solar foi responsável por 2,7% da eletricidade gerada no mundo todo, vindo de 0,16% há uma década, segundo apurado pela BNEF. Considerando o baixo custo da tecnologia e a penetração ainda limitada em termos de geração, a expectativa da BNEF é que o mercado continue a crescer, com 140-177GW de capacidade solar adicionada em 2022.

Os dados oferecem outros insights importantes sobre como o mundo vem gerando eletricidade. De 2018 a 2019, a energia produzida a partir do carvão caiu 3% à medida que as usinas funcionaram com menor frequência. Esta foi a primeira queda na geração à base de carvão desde 2014-2015 e embora o mundo tenha mais usinas a carvão em operação hoje do que há uma década, estas usinas estão operando com menor frequência. A taxa média de utilização nas usinas de energia a carvão caiu de 57% em 2010 para 50% em 2019. Ainda assim, os 9.200 terawatts-hora (TWh) produzidos a partir de carvão em 2019 foram mais de 17% superiores aos níveis produzidos em 2010.

A capacidade instalada global de usinas a carvão aumentou 32% ao longo da década, chegando a 2,1TW em 2019. Entre 2010 e 2019, os países desenvolvidos aposentaram mais de 113GW de geração a carvão. Porém, isto não foi suficiente para compensar a adição de pelo menos 691GW de usinas desta tecnologia em mercados emergentes. Em 2019, o mundo assistiu à instalação de 39GW de capacidade nova de geração a carvão – um aumento significativo sobre os 19GW de 2018.

“Os países mais ricos estão retirando rapidamente suas usinas a carvão mais antigas e, em grande parte, ineficientes, porque estas não conseguem competir com novos projetos a gás ou de energias renováveis”, disse Ethan Zindler, chefe da BNEF para as Américas. “No entanto, em países menos desenvolvidos, particularmente no sul e sudeste da Ásia, novas usinas a carvão mais eficientes continuam a entrar em operação – muitas vezes com o apoio financeiro de credores chineses e japoneses.”

Outras descobertas a partir dos mais recentes dados incluem:

As energias eólica e solar responderam por mais de dois terços dos 265GW de capacidade nova instalada no mundo todo em 2019 – fatia que era de menos de um quarto em 2010. Pela primeira vez, as duas tecnologias também representaram a maior parte da geração nova registrada em 2019. Incluindo a hidrelétrica, as energias renováveis compõem três quartos da capacidade de geração instalada em 2019.

Na primeira metade da década passada, as instalações de base eólica e solar estavam concentradas nos países mais ricos, mas o cenário mudou recentemente. Em um grupo que inclui quase todos os países da OCDE, as energias eólica e solar são responsáveis pela maior parte da capacidade de geração nova construída a cada ano, desde 2011. Entre um grupo de países que não integram a OCDE mais Chile, Colômbia, México e Turquia, a eólica e a solar representaram a maior parte da construção anual desde 2016.

A BNEF estima que as emissões mundiais de CO2 do setor de energia caíram 1,5% no período 2018-2019 à medida que as quedas nos EUA e na UE mais que compensaram o aumento na China, que respondeu por 37% do total de 2019. Os EUA responderam por 14% e a UE por 6%.

O relatório e ferramenta Power Transition Trends 2020 tem como base os dados de 138 países, coletados individualmente até 2019. Isto engloba todos os países do mundo com mais de dois milhões de habitantes.

Separadamente, a BNEF vem acompanhando diariamente a produção de energia em 25 dos maiores mercados desenvolvidos do mundo, em 2020. Com base nestes dados preliminares, a BNEF espera que a geração global total, a geração a carvão e as emissões de CO2 do setor de energia caiam ainda mais em 2020. As respostas de emergência à Covid-19 retardaram as economias e reduziram a demanda de eletricidade em pelo menos 20 dos principais países em comparação com cenários-padrão, projetados pela BNEF (Bloomberg, 1/9/20)
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