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ABSOLAR Inside: Mercado Livre de Energia

Episódio 2 – O mercado já começou: cases e oportunidades


Segundo episódio do ABSOLAR Inside: Mercado Livre de Energia traz cases e indica oportunidades de mercado

O novo episódio do ABSOLAR Inside especial sobre o mercado livre de energia aconteceu no dia 4 de novembro de 2020. A partir de alguns cases, o âncora e Vice-Presidente da ABSOLAR, Marcio Trannin, se juntou aos convidados Gustavo Vajda, Business Development Director e Country Manager da Canadian Solar; Gustavo Checcucci, Diretor de Energia da Braskem; e Josiane Palomino, Diretora de Gestão de Geradores e GD da Comerc Energia. Com apresentação da jornalista Priscila Brandão, o programa colocou em pauta as principais oportunidades desse mercado. Confira abaixo o conteúdo técnico de tudo o que aconteceu neste segundo episódio da série.

Principais exemplos de comercialização e consumo do mercado livre de energia

O ABSOLAR Inside começou com Marcio Trannin explicando que o tripé que sustenta o setor solar fotovoltaico no ambiente de contratação livre (ACL) é composto pelo investidor, consumidor e agente financiador. Priscila Brandão então fez uma pergunta aos convidados: “qual a vantagem que existe no ACL em comparação com o mercado regulado de energia?”. Respondendo à apresentadora, Gustavo Vajda afirmou que o mercado livre de energia tem a grande vantagem de não depender de leilões federais, pois são negociações bilateriais em leilões privados. “Os leilões começaram no ano passado e o crescimento foi explosivo neste ano, como resultado do ganho de confiança dos clientes. Esperava-se que este ano fosse mais difícil por conta da pandemia, mas o mercado foi explosivo e os players bateram suas metas de 2020”, disse. Para o executivo da Canadian Solar, o mercado livre de energia veio para ficar e é o novo driver de crescimento do segmento.

Marcio Trannin completou dizendo que o Brasil se acostumou a crescer por leilões no mercado regulado, inclusive esse conceito de leilões foi exportado a outros países como mecanismo de sucesso. “De repente, veio, junto com a necessidade crescente do consumidor ser dono de sua própria energia fora do mercado cativo, o movimento de aquisição de melhores serviços por menores preços, assim como aconteceu no mercado de telefonia”, explica. Este movimento natural da busca dos consumidores pelos fornecedores chegou junto com a evolução das condições competitivas da energia solar, cobrindo a lacuna da oferta de preços competitivos.

Comercializadoras podem ser um canal de expansão da solar no mercado livre de energia?

Segundo Josiane Palomino, o papel das comercializadoras no mercado livre de energia é fundamental, visto que cada vez mais energia é destinada ao ambiente de contratação livre. A Diretora de Gestão de Geradores e GD da Comerc Energia destacou que as comercializadoras têm um papel importante na alocação dessa energia em contratos de longo prazo e no apoio a consumidores cada vez menores, que têm entrado nesse mercado. “Quando falamos de contratos de longo prazo, de cinco a dez anos, um dos entraves é a correção do preço pela inflação. Se não for bem estruturada, a energia tende a ficar cada vez mais cara e impactar a comercializadora”, disse. O impacto pode ser mitigado trabalhando o custo da energia de forma estruturada ao longo do prazo do contrato e a financiabilidade de contratos pode ser um apoio. No Ambiente de Contratação Regulado (ACR), a referência de financiamento é o BNDES. Para o mercado livre de energia, o aprendizado tem que ser desenvolvido.

Para Trannin, o setor solar fotovoltaico veio para romper paradigmas estabelecidos e há formas diferentes de fazer negócios. “Quando as primeiras comercializadoras apareceram entre 1997 e 1998, entendia-se que vieram para estabelecer contratos em curto prazo e que não eram aptas para contratos de longo prazo. Esta percepção está mudando, pois elas terão papel preponderante em contratos de longo prazo”, explica. Segundo o Vice-Presidente da ABSOLAR, as comercializadoras irão se adaptar à garantia da expansão da carga.

De acordo com Gustavo Vajda, o contrato de longo prazo é essencial para geradores e os projetos devem ser ancorados em contratos de dez ou mais anos. A bancabilidade é ancorada nos recebíveis dos projetos, a partir de uma proporção alta da energia gerada. A outra parte do contrato pode ser trabalhada com comercializadoras de energia, que pulverizam a de clientes menores. A próxima onda será o estabelecimento de contratos diretamente entre comercializadora e gerador. “O Brasil sempre teve defasagem de cinco anos em relação a mercados mais evoluídos, mas no caso do ACL este processo se acelerou”, afirma.

Quais as vantagens do ACR em pontos nos quais o ACL deixa a desejar?

Durante o programa, Priscila Brandão perguntou para Gustavo Vajda quais vantagens ele enxerga no ambiente de contratação regulado e o que o mercado livre de energia deixa a desejar. O convidado informou que o ACR é mais digerido pelos investidores e considerado de baixo risco, com prazos longos, em horizontes de tempo que podem superar os vinte anos. Por outro lado, há mais competição entre projetos e preços baixos. No ACL, as regras podem ser combinadas, em condições ideais para gerador e consumidor, como em relação às condições da correção de preços pelo IPCA. Como cada mercado tem suas vantagens, é comum ver mixes de venda de energia em ambos os mercados.

Marcio Trannin complementou a fala de Vajda ao destacar que a expansão do Brasil por leilões regulados deixou o País em uma zona de conforto. “A alternativa do mercado livre de energia apresenta uma série de desafios e oportunidades e pede inovação”, disse. Para o âncora, os desenvolvedores apresentavam projetos muito simples chamados de “ready to bid” e agora, o ACL demanda projetos mais maduros. Atualmente, os consumidores também viram a oportunidade de comprar energia por dois ou três anos, mas precisam garantir energia barata por prazos mais longos. “Com a geração de energia solar muito mais barata, veio a demanda de contratos de longo prazo, para financiar com taxas de retorno atrativas”, informa.

Braskem firma contratos de longo prazo no mercado livre de energia

A Braskem opera no mercado livre há muitos anos. De acordo com Gustavo Checcucci, Diretor de Energia da Braskem, a busca por uma matriz energética renovável fez com que a empresa desenvolvesse parcerias de longo prazo para o desenvolvimento de projetos de energias renováveis. “A expansão do sistema baseada no mercado livre de energia veio para ficar e o avanço de competitividade das fontes renováveis tem sido um fator preponderante neste processo”, conta. Checcucci acredita que há uma demanda reprimida para modelos de negócios no mercado livre de energia, mas é possível chegar a um cenário de atendimento desta demanda no médio prazo. Para atender a consumidores que precisam de contatos de média duração, será importante desenvolver estas opções.

Gustavo Vajda complementou dizendo que “empresas de diferentes segmentos têm cobranças internas de consumo crescente de energias renováveis”. Hoje, além da sustentabilidade, elas percebem o custo mais baixo e a possibilidade de não estarem presas a contratos longos. Para Trannin, a energia solar está ligada à sustentabilidade social, ambiental e econômica, pois é a melhor fonte para se trabalhar. “O mais interessante da fala do Gustavo Checcucci é a menção ao processo transformacional da matriz renovável e sustentável. O consumidor olhava para o fator dos custos, mas passa a colocar a sustentabilidade como pilar de definição”, comenta. Existem muitos clientes que privilegiam pagar mais caro para cumprir metas ambientais e mecanismos, como green bonds, dão a pegada da sustentabilidade e empresas expandem metas verdes a filiais em outros países.”

A importância das soluções inovadoras para os pequenos consumidores

O Diretor de Energia da Braskem informou que os pequenos consumidores poderão ser beneficiados com o aumento de soluções inovadoras no mercado. Para Vajda, os geradores se adaptam à competição e tendem a se adaptar ao mercado. “Tenho um exemplo de contrato a grande consumidor, que atende a toda sua cadeia de fornecedores de consumo menor”, informa.

Trannin disse que “muita gente instala energia solar por entender que assim ajudam a matriz elétrica a ser mais sustentável”. Com isso, há consumidores, como no exemplo do Gustavo Vajda, que se preocupam que toda sua cadeia de valor seja mais sustentável.

Salas privativas

Durante o ABSOLAR Inside, os telespectadores tiveram a oportunidade de participar de duas salas privativas com conteúdos oferecidos pela CLAMPER e a Jinko. Confira o que rolou em cada uma:

Sala CLAMPER – Aplicação de Proteção Contra Raios e Surtos Elétricos em SFV

Na sala da CLAMPER, Thiago Gomes, Coordenador de Suporte Técnico da CLAMPER, começou apresentando a empresa. A CLAMPER, 100% brasileira, foi fundada em 1991. Hoje, é sediada em Lagoa Santa, em Minas Gerais. Durante os quase 30 anos de mercado, são especialistas em Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS), oferecendo a proteção de eletroeletrônicos contra danos causados por raios e surtos elétricos. “O Brasil lidera o ranking com maior incidência de raios, em todos os equipamentos, registrando um prejuízo anual de R$ 1 bilhão. Cientistas estimam que o incremento da temperatura resulta em aumento entre 10% a 20% na incidência de raios”, explicou Thiago Gomes na apresentação. Segundo Thiago Gomes, a CLAMPER oferece equipamentos tanto para corrente alternada como para contínua. O propósito da empresa é a economia, conforto e segurança.

Sala Jinko Solar – Posicionamento da Jinko no mercado global

A sala da Jinko contou com a apresentação de Gervano Pereira, Gerente de Vendas para Utility Scale, responsável pela geração centralizada no Brasil. Ele falou sobre o posicionamento da empresa no mercado global de tecnologia, qualidade e sustentabilidade. Segundo Gervano, a Jinko está presente em mais de 40 países, já entregou mais de 60 GW em módulos e tem subsidiárias na América do Norte, Central e do Sul. A empresa vem crescendo em média 41% ao ano desde seu surgimento em 2012, um ritmo acompanhado pelo aumento de seu market share. Para o gerente, o crescimento se deu no desenvolvimento e investimento da tecnologia em suas próprias fábricas, garantindo a excelência e qualidade de seus produtos.

Gervano Pereira afirmou que o cenário atual é desafiador para qualquer setor de negócios e, apesar disso, a Jinko vem confirmando sua posição no mercado. A empresa prevê alcançar entre 18 GW e 20 GW de contratos ainda neste ano e um crescimento de 30%. “Apresentamos produtos nas linhas Tiger e Tiger Pro mono e bifaciais, alcançando até 580 Wp. Também desenvolvemos projeto superior a 1,1 GW nos Emirados Árabes, com módulos bifaciais da Jinko e participamos de projetos de grande porte no Brasil, Chile, Colômbia, entre 10 MW e mais de 100 MW de capacidade instalada”, finalizou.

Principais dúvidas dos telespectadores são respondidas pelos convidados

Durante um momento do programa, a jornalista Priscila Brandão abriu espaço para que os convidados respondessem perguntas feitas pelos telespectadores. Confira abaixo:

Sobre os grandes projetos de geração centralizada: hoje as empresas falam em 18 meses para desenvolver um projeto e mais 18 meses entre a construção e o início da operação comercial. Vocês acreditam que é possível reduzir esses prazos?

Gustavo Vajda: o mercado mudou e o cliente quer comprar energia rápida, para daqui a dois anos. Projetos em fases preliminares terão que avançar mais rapidamente nas etapas de licenciamento, outorga e conexão, de 18 para seis meses. Na construção, também terão que acelerar em etapas como a conexão à rede de transmissão.

Marcio Trannin: ontem debatemos no ABSOLAR Inside a importância do tema de conexão e riscos envolvidos. Projetos “ready to bid” têm ficado em segundo plano em relação a projetos mais prontos. Garantir o parecer de acesso o quanto antes é fundamental para que projetos garantam valor no mercado.

Como fica a competitividade de projetos híbridos no mercado livre de energia?

Marcio Trannin: usinas híbridas ainda carecem de regulamentação e, nesse sentido, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou consulta pública recentemente. Projetos têm grande vantagem de compartilhamento de estruturas em instalação, que seriam, de outra forma, usadas apenas por uma tecnologia. Por exemplo, o Brasil tem potencial de vento noturno e solar durante o dia. Desta forma, projetos são dimensionados para limite de escoamento local e a hibridização otimiza a disponibilidade de energia para a rede. A propósito, a ABSOLAR tem um Grupo de Trabalho (GT) voltado ao armazenamento de energia, que terá papel importante para o ganho de competitividade de projetos híbridos.


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