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ABSOLAR Inside: Novos modelos de negócios

Perspectivas frente às mudanças no marco regulatório


Primeiro episódio do ABSOLAR Inside em 2021 apresenta oportunidades para a energia solar e o cenário político atual

O início da temporada deste ano do programa de TV digital ABSOLAR Inside foi ao ar na última quinta-feira, 29 de abril. A jornalista Priscila Brandão esteve ao vivo junto à âncora e Vice-Presidente de Geração Distribuída da ABSOLAR, Bárbara Rubim, e com os convidados Rodrigo Marcolino, sócio da Axis Renováveis; e Rodrigo Pedroso, CEO do Grupo Pacto Energia. O programa também contou com a presença dos parceiros Rodolfo Meyer, CEO do Portal Solar; Carolina Reis, Diretora Comercial do Meu Financiamento Solar; e Bruno Reis, Diretor Comercial da Genyx Solar.

O primeiro episódio trouxe informações importantes sobre os novos modelos de negócio – como a geração compartilhada – e as perspectivas do setor diante do marco legal da geração distribuída, que está em discussão no Congresso. No segundo bloco, a mesa redonda com os convidados parceiros tratou dos diferentes aspectos do setor – como o financiamento em momentos de incerteza e, também, como a flutuação do câmbio tem afetado a venda de equipamentos solares fotovoltaicos.

Confira abaixo o resumo de tudo o que aconteceu:

PL 5829/2019 e o marco legal

No início do programa, Bárbara Rubim comentou que o setor está num momento de muita movimentação para aprovar o Projeto de Lei (PL) 5829/2019, que irá definir o marco legal da geração distribuída. Ele irá promover o direito do consumidor de gerar a sua própria energia elétrica e discutir os modelos de negócios que estão em prática e que ainda podem melhorar.

Novos Modelos de Negócios: geração compartilhada

Rodrigo Marcolino explicou que a geração compartilhada é um dos maiores vetores de democratização da geração distribuída (GD). Residências ou comércios com interesse em gerar a sua própria energia elétrica, porém sem as condições para isso – como falta de espaço suficiente para instalação, por exemplo – podem ter acesso à GD por meio deste modelo de negócio.

Desta forma, a geração compartilhada possibilita a instalação de um sistema gerador de energia elétrica em um local diferente do consumo. “No entanto, para que este modelo de negócio funcione, mais de um consumidor deve se juntar em um consórcio ou cooperativa para poder se beneficiar da geração distribuída”, disse. “Ainda falta debater o porquê de a geração compartilhada não ter avançado da forma como era esperada, desde a sua criação em 2015”.

Bárbara Rubim complementou a fala de Marcolino e informou que há muitos entraves na regulamentação para consolidar o crescimento da geração compartilhada. Por outro lado, com a definição do marco legal, é previsto que a geração compartilhada possa ser composta não só por cooperativas ou consórcios, mas também por outras figuras associativas, permitindo que mais pessoas se beneficiem dos ganhos em escala.

Novos Modelos de Negócios: modelo de locação

Marcolino explicou que um modelo de locação é a terceirização dos investimentos do sistema. Isso significa que uma empresa realizará o projeto, a manutenção, a compra dos equipamentos e a contratação do financiamento e o consumidor só precisará pagar uma parcela, que será mais baixa do que a conta de luz, para poder ter um sistema que gere energia elétrica própria.

Novos Modelos de Negócios: mercado livre de energia

Rodrigo Pedroso concedeu uma entrevista especial ao programa. O CEO do Grupo Pacto Energia comentou que o mercado livre de energia ocupa apenas 32% de participação no mercado total de energia elétrica. “O Ministério de Minas e Energia (MME) já sinalizou que, até 2026, o mercado será aberto para todos os consumidores que gostariam de migrar”, disse. “Dessa forma, a perspectiva da fonte solar fotovoltaica é de ter participação promissora, uma vez que os projetos de energia solar são desenvolvidos com maior facilidade em relação à outras fontes de energia elétrica”.

Sobre os principais desafios e oportunidades que o Brasil oferece, o convidado explicou que somos um País continental e temos enormes desafios de acesso ao mercado de capitais em função do arcabouço regulatório e jurídico. “No entanto, o Brasil tem uma grande facilidade nos projetos de infraestrutura, uma vez que ainda está em desenvolvimento, portanto, precisando de bastante energia”, informou.

Bárbara Rubim comentou que a liberalização do mercado é uma tendência importante do setor. “Atualmente, o mercado livre tem dois patamares: um com consumidores que migram comprando energia de fontes renováveis incentivadas e especiais; e o outro, de compra de qualquer tipo de fonte, que é o patamar a ser aberto para os consumidores”, disse.

De acordo com a Vice-Presidente de Geração Distribuída da ABSOLAR, cabe ressaltar que, com isso, a geração distribuída não deixará de existir, mas irá ganhar novos contornos e novas possibilidades de modelos de negócios. Para Rodrigo Marcolino, o mercado livre não é uma ameaça, e sim, um novo leque de oportunidades para a GD.

Há ainda que se precificar os benefícios que o setor elétrico irá aproveitar pela geração de energia elétrica perto da carga que a fonte solar fotovoltaica proporciona. Segundo Bárbara, essa é uma discussão muito presente no marco legal da geração própria de energia. Por isso, é necessário entender qual é o ponto de equilíbrio para precificar e quantificar os atributos das energias renováveis.

A liberdade causa empoderamento do consumidor

Para Bárbara Rubim, a liberdade do consumidor poder escolher em que mercado quer estar é muito importante, uma vez que, historicamente, a discussão do setor elétrico tem sido algo distante do cliente. Isso porque era comum que ele apenas recebesse as determinações do governo – como a do pagamento de bandeiras tarifárias, aumento das tarifas, entre outros pontos.

Atualmente, com a geração distribuída, há um senso mais crítico por parte do consumidor. Rodrigo Marcolino complementa dizendo que, uma vez que o consumidor é mais ativo e entende a sua conta de luz, começa a prestar mais atenção na eficiência energética da sua unidade consumidora. Com isso, podemos ter novos modelos de negócios para este tipo de medida. De acordo com o sócio da Axis Renováveis, em outros países, há o desenvolvimento de novos mercados – como o de oferta de planos de energia – e novos modelos para precificar o preço da energia dependendo do seu horário de pico.

Mesa redonda discute o papel do financiamento, logística e imprensa nas mudanças do setor elétrico

Rodolfo Meyer comentou o que mais chamou a sua atenção durante o programa. Para ele, as mudanças do setor elétrico são contínuas e o setor está longe de estar em um cenário final e ideal. “O futuro é o armazenamento, os veículos elétricos e a geração de energia elétrica híbrida. Com isso, as oportunidades de negócio vão aparecendo e o conselho é de ser ágil e enxuto na operação. Em momentos de incerteza, a empresa pode passar por crises e adequar o seu modelo de negócio”, disse.

Carolina Reis, do Meu Financiamento Solar, informou que há muitas oportunidades de financiamento que ainda contemplam os novos modelos de negócios que vão existir dentro do setor elétrico, especificamente dentro do segmento solar fotovoltaico. “O mercado de financiamento tem sentido o aumento da demanda e a necessidade de crescimento. Os pedidos de financiamento por parte dos consumidores de classe B e C têm aumentado”, destacou.

Sobre o papel da imprensa especializada ao notificar notícias do setor, o CEO do Portal Solar comentou que a imprensa precisa ser isenta e trazer a realidade para as pessoas. Temos visto uma polarização a respeito da discussão do marco legal da GD e, com isso, muitas vezes existem informações mentirosas e sem embasamento técnico. “O Portal Solar lançou, no ano passado, o InfoSolar, uma plataforma que desenvolve conteúdo para o mercado de forma neutra, com veracidade”, disse.

Bruno Reis falou sobre como a flutuação cambial afetou o setor e a cadeia de suprimentos e logística. “Nesse momento, podemos ver que a situação está se regularizando. Quando falamos de logística, as empresas estão tirando o atraso dos envios de suprimentos e equipamentos, sobrecarregando esta área. Especificamente sobre o valor cambial, as empresas estão se protegendo e aumentando o preço para não sofrer com as flutuações cambiais”, informou.

Carolina Reis comentou dizendo que o mercado financeiro também é influenciado pelo mercado cambial e que o consumidor é muito sensível a qualquer informação e momento econômico que o Brasil vive. Ela tem visto muitos adiantamentos de financiamentos por receio da situação econômica do País.

Principais dúvidas dos telespectadores são respondidas pelos convidados

Durante o ABSOLAR Inside, a jornalista Priscila Brandão abriu um espaço para que os convidados respondam algumas das perguntas que os espectadores fizeram no chat do programa. Confira:

O que se tem feito diante de tanta dificuldade mediante as concessionárias? Por que elas vêm apresentando cada vez mais obstáculos para a liberação e aprovação de cliente/consumidor?

Bárbara Rubim: Existe uma vontade crescente por parte das concessionárias de barrar o crescimento do setor. Deve-se lembrar que o serviço de distribuição é um monopólio, ou seja, não há competição para a prestação de serviço para o consumidor. Há falta de fiscalização.

Rodolfo Meyer: O Portal fez um processo de acompanhamento das grandes conexões e encontrou muitas inconsistências por parte das distribuidoras. É necessário entender o prazo real que estão acontecendo as conexões de sistemas fotovoltaicos, uma vez que descobriram que aquilo reportado pelas distribuidoras não condiz com o prazo que o consumidor está reclamando. Estes atrasos geram grandes prejuízos.

Carolina Reis: Isso também reflete nos financiamentos, uma vez que, muitas vezes, o atraso da homologação deixa o consumidor inadimplente dos pagamentos das parcelas do financiamento.

Rodrigo Marcolino: Além da questão de parecer de acesso, há problemas depois do sistema estar conectado à rede, com erros de faturamento, crédito de energia elétrica que não é reconhecido e tributos que não são aplicados corretamente. Ou seja, os problemas podem continuar de 6 a 8 meses depois da conexão do sistema.

Com funcionam as questões legais de formação de uma cooperativa ou consórcio para a GD compartilhada? A energia produzida na cooperativa só pode ser compartilhada para consumidores dentro da mesma concessionária de energia?

Bárbara Rubim: A energia só é compensada para consumidores de uma mesma área de concessão. Há um processo bastante burocrático para a criação de cooperativas, já que há necessidade de pelos menos vinte pessoas físicas, porém, nem todos os cooperados ou consorciados precisam receber os créditos de energia.

Quais são os próximos passos do PL 5829/2019 e como vai ser o andamento dele no Congresso?

Bárbara Rubim: Essa semana foi intensa, e a semana que vem (a partir de 3 de maio) também será. O projeto tinha expectativa de ser votado esta semana, mas saiu da pauta e existe uma sinalização de que deve ser votado na semana do dia 3 de maio. Grande parte dos parlamentares já passaram pelo processo de convencimento e o tema está sendo debatido amplamente dentro do Congresso pelos deputados.

Os próximos passos são: o projeto ser recolocado na pauta de votação; a votação na câmara deve ter maioria simples para aprovar o PL, ou seja 50% + 1 dos presentes. Depois disso, passará por um processo de protocolo, que deve demorar mais ou menos duas semanas para poder ser enviado ao Senado, onde será necessário um relator, que precisa aprovar o requerimento de urgência para que a votação aconteça.

Estima-se que a tramitação demore em torno de seis meses até ser aprovado nas duas casas e ser sancionado pelo Presidente da República.


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