Energia no mercado livre segue cara apesar da queda no curto prazo
Especialistas avaliam fatores que sustentam a alta nos contratos de médio e longo prazo, apesar da queda no curto prazo
Fonte: Diário do Comércio
Data: 09/07/2026
Autor: Juliana Sodré
Os preços da energia elétrica no mercado livre seguem em patamar elevado para contratos de médio e longo prazo, embora o mercado de curto prazo tenha registrado recuo nos últimos meses. A combinação entre a melhora das condições hidrológicas, maior geração de fontes renováveis e temperaturas mais amenas reduziu a pressão sobre o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). No entanto, especialistas ouvidos pelo Diário do Comércio avaliam que alguns fatores continuam sustentando contratos acima dos níveis observados nos últimos anos.
Atualmente, conforme o conselheiro da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Felipe Sapucahy, os contratos de energia no mercado livre estão sendo negociados, em média, a R$ 320 por megawatt-hora (MWh). Um valor que é superior à média histórica, mas ainda considerado competitivo em relação ao mercado regulado, já que ainda proporciona economia para os consumidores. “É um patamar acima da média histórica, mas que ainda mantém o ambiente livre competitivo, oferecendo preços cerca de 12% inferiores aos praticados no mercado cativo”, afirma.
De acordo com Sapucahy, os preços permaneceram relativamente estáveis desde o início do ano, com oscilações próximas de R$ 10/MWh nos contratos futuros. Segundo ele, a ausência de mudanças regulatórias relevantes nos últimos meses e a melhora gradual dos reservatórios contribuíram para esse cenário. “O mercado tem acompanhado esse equilíbrio, mantendo uma expectativa mais estável para as contratações no curto e médio prazo”, destaca.
Contratos mais caros refletem mudanças
Há poucos anos era comum encontrar contratos com preços entre R$ 100 e R$ 150/MWh. Em 2026, porém, diversos contratos ultrapassaram R$ 300/MWh e, em alguns momentos, chegaram próximos de R$ 400/MWh. Para Sapucahy, esse movimento decorre da combinação entre um cenário hidrológico desfavorável ao longo do ano passado e alterações regulatórias implementadas na virada para 2026. “O cenário hidrológico mais desafiador ao longo de 2025 e as mudanças regulatórias que alteraram a dinâmica de formação de preços impulsionaram esse movimento”, afirma.
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