Potencialidades da fonte solar no Centro-Oeste em destaque no ABSOLAR Meeting
Encontro realizado em Brasília/DF ressalta papel estratégico da região na geração de energia

Foto: ABSOLAR
"Já não é possível conceber a matriz elétrica atual sem a contribuição da energia solar". A afirmação do Secretário-Executivo Adjunto do Ministério de Minas e Energia (MME), Fernando Colli Munhoz, durante o ABSOLAR Meeting 2026 retrata a importância que o segmento econômico vem tendo no País e, em especial, no Centro-Oeste, que se destaca no ranking nacional de produção de energia fotovoltaica.
Segundo dados da ABSOLAR, a geração própria já proporcionou aos estados da região central do Brasil e ao Distrito Federal a atração de mais de R$ 32,5 bilhões em investimentos, com uma capacidade instalada total de mais de 7,3 gigawatts (GW) em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos. São mais de 710 mil unidades consumidores atendidas pela tecnologia fotovoltaica. No acumulado, o setor gerou mais de 226,5 mil empregos verdes na região.
Relevância da ABSOLAR no exterior e foco nas micro e pequenas empresas
Na abertura do evento, que tem o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk, destacou a representatividade internacional da organização, reconhecida recentemente como a segunda melhor associação solar do mundo, e de seu CEO, Rodrigo Sauaia, Chairman do Global Solar Council. Enalteceu a característica do mercado fotovoltaico de distribuir a riqueza entre todos os portes de empresas, principalmente micro e pequenas, por isso, o papel estratégico da parceria com o Sebrae.
Diná Ferraz, Diretora Técnica do Sebrae-DF, reforçou o papel do Sebrae em orientar os empresários da cadeia produtiva da energia solar e reforçou a importância de investimentos e incentivos públicos para a geração da fonte fotovoltaica. “O Sebrae atua na proteção e defesa das micro e pequenas empresas que produzem energia solar”, disse Ferraz.
Papel estratégico global da fonte solar
Edinho Bez, Diretor de Relações Institucionais da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi) ressaltou que, em um cenário global de crescente disputa por energia, a fonte fotovoltaica se apresenta como alternativa estratégica para suprir o consumo de energia elétrica.
Joaquim Passarinho, Deputado Federal (PL-PA) e Presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, destacou que a política é necessária e deve apoiar o empreendedorismo. Ressaltou que o atual estágio de desenvolvimento da energia solar também decorre da atuação do Poder Legislativo, em diálogo com o setor produtivo e atento às demandas dos empreendedores. Mencionou a MP 1.304/2025 e a participação do setor na construção de alternativas de solução, observando a complexidade do setor elétrico brasileiro. Enfatizou que o Poder Legislativo necessita do conhecimento técnico do setor para aperfeiçoar sua atuação e afirmou que a responsabilidade pelo seu fortalecimento é compartilhada, podendo ser construída com maior solidez por meio da união entre os agentes envolvidos. Passarinho ressaltou, ainda, a necessidade de incorporar o tema do armazenamento por baterias à agenda setorial e afirmou que o setor solar já possui dimensão e relevância suficientes para ocupar espaço qualificado de diálogo institucional.
Já Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, enalteceu a participação decisiva do Deputado Federal Joaquim Passarinho (PL-PA) em prol do mercado solar fotovoltaico nas discussões recentes de regulamentação do setor elétrico brasileiro, em especial, na tramitação da MP 1.304/2025. Elogiou também a articulação decisiva do Coordenador Estadual da ABSOLAR no Pará, Daniel Sobrinho, junto ao Sistema Indústria. Lembrou também dos desafios históricos da matriz energética brasileira, fortemente baseada em fontes fósseis incentivadas pelo governo. Disse que diversos países já definiram metas para atingir uma matriz energética 100% limpa, o que vai se transformar em diferencial competitivo para as empresas. Com o Brasil usando fontes mais “sujas”, todas as empresas brasileiras perdem mercado e oportunidades de negócios.
Oportunidades de negócios no agro, C&I e poder público
No primeiro painel do evento, o mediador, Francisco Maiello, Coordenador Estadual da ABSOLAR em Goiás, apresentou oportunidades de negócios na agropecuária e em construção e indústria (C&I). Afirmou que em 2025 cresceu a utilização da energia solar e que até 2050 haverá aumento da procura por alimentos e energia, tendo em vista a demanda represada. Maiello destacou a expansão da geração distribuída entre consumidores residenciais, comerciais, rurais e industriais, o crescimento da demanda energética vinculada à expansão agrícola e da irrigação, e a necessidade de aproveitar esse cenário com soluções como agrivoltaica e microrredes.
Agro como propulsor do emprego no Brasil
Maciel Silva, Diretor Técnico Adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), citou dados que representam a relevância do agronegócio para a economia brasileira: o setor gerou cerca de 28 milhões de empregos e participação de cerca de 50% nas exportações nacionais, em uma cadeia produtiva ampla e estratégica. Ressaltou a revolução tecnológica vivenciada pelo agro brasileiro, com ganhos de capacidade, estrutura e eficiência, contribuindo para alimentar mais de 1 bilhão de pessoas.
Porém, identificou problemas crônicos da atividade, como o acesso à eletricidade para irrigação. Enfatizou, ainda, que o aumento da eficiência e da produtividade no agro depende da aplicação de tecnologias, inclusive em atividades sensíveis ao ambiente, temperatura e custo de energia, como a produção de camarão e leite, destacando o armazenamento como apoio fundamental para esse avanço.
Uso da energia solar no comércio
Finalizando o painel 1, Ricardo Bezamat, Consultor de Energia da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ressaltou o peso desse segmento na economia nacional e defendeu a combinação entre eficiência energética e geração fotovoltaica como estratégia para reduzir desperdícios, consumo e custos com eletricidade.
Bezamat destacou resultados concretos de eficiência em unidades da CNC, como a redução de 39% no consumo de energia, e 200 milhões investidos SESC Nacional, o apoio técnico e financeiro a projetos de micro e minigeração distribuída em diversas regionais, alinhados ao Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) e à Lei nº 14.300/2022, além de enfatizar a aderência da fonte solar às diretrizes ESG e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 7. Também apontou o crescimento do consumo de energia no setor comercial, o potencial expressivo de economia de energia com medidas de eficiência e os benefícios ambientais associados, com redução relevante de emissões de CO₂.


