Hidrogênio verde: estudo mapeia regiões com maior potencial de produção e uso no Brasil
Análise baseada em dados municipais identifica sete clusters de produção e dez de consumo e aponta necessidade de infraestrutura para conectar polos energéticos e industriais
Fonte: Neo Mondo Estadão
Data: 06/04/2026
Autor: José Tadeu Arantes
Um estudo que analisou dados de milhares de municípios brasileiros identificou regiões com maior potencial para produção e uso de hidrogênio verde – combustível considerado estratégico para a descarbonização de setores industriais intensivos em emissões. A pesquisa mostra que o país reúne condições favoráveis para desenvolver essa nova cadeia energética, mas também revela um desafio importante: os principais locais de produção e consumo não coincidem geograficamente, o que exigirá investimentos significativos em infraestrutura de transporte e distribuição.
Os resultados foram publicados, no International Journal of Hydrogen Energy por Celso da Silveira Cachola e Drielli Peyerl. O trabalho foi desenvolvido no Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), um dos Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs) da FAPESP, sediado na Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Shell Brasil e apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo Peyerl, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP e do projeto “Energy transition through the lens of Sustainable Developments Goals" (ENLENS), na Universidade de Amsterdã (Países Baixos), o objetivo foi responder a uma pergunta central para o planejamento da transição energética no país: “Queríamos identificar quais regiões do Brasil apresentam maior potencial para produzir e consumir hidrogênio verde no contexto da descarbonização industrial”.
O hidrogênio vem sendo apontado como uma das alternativas mais promissoras para diminuir emissões em setores industriais chamados, em inglês, de “hard-to-abate” (difíceis de reduzir) – aqueles nos quais a descarbonização enfrenta ainda grandes obstáculos, seja por limitações tecnológicas, energéticas ou econômicas. Entre esses setores, estão a siderurgia, o refino de petróleo e parte da indústria química. Nessas atividades, o hidrogênio pode substituir combustíveis fósseis em processos de alta temperatura ou atuar como matéria-prima em reações químicas.
Quando produzido por eletrólise da água, utilizando eletricidade proveniente de fontes renováveis, como energia hidrelétrica, solar ou eólica, ele recebe o nome de “hidrogênio verde”, pois praticamente não gera emissões de gases de efeito estufa durante o processo produtivo.


