Área de associados Trabalhe no setor solar

Carioca economiza R$ 2,7 mil por ano com energia solar

20/05/21 | São Paulo

Reportagem publicada no Diário do Porto

Uma pesquisa do Ibope, feita em 2020, mostrou que 90% dos brasileiros querem gerar a própria energia em casa a partir de fontes renováveis. No Estado do Rio de Janeiro, interessados em instalar aparelhos de captação de energia solar e da própria energia distribuída podem economizar, em média, R$ 2.751,00 por ano com energia elétrica. A estimativa é calculada pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, Leonardo Soares, a partir de dados levantados pelo Instituto Pereira Passos.

A implementação da energia distribuída foi discutida em painel, nesta quinta-feira, 20, da Câmara Setorial de Energia e de Desenvolvimento Sustentável, do Fórum de Desenvolvimento da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo Soares, o consumo médio em uma residência na capital equivale a 165 kilowatts, ou seja, uma conta de R$ 185 por mês. Um consumidor carioca precisaria, hoje, fazer um investimento de cerca de R$ 15 mil para instalar sua captação de energia solar.

Considerando o consumo médio do Rio e a quantidade de placas suficientes para sustentar uma casa, esse cidadão faz uma economia anual de mais de R$ 2 mil. Então, após cinco anos e meio, ele já conseguiu pagar todo esse investimento e vai continuar economizando esse valor anualmente. É uma oportunidade muito interessante”, explicou o secretário.

LEIA TAMBÉM Seminário PetroTIC debate a transformação no setor de energia Ecoenel troca lixo por desconto em conta de luz Ex-Comperj: Itaboraí quer ser a capital do gás natural

Leonardo Soares anunciou também a criação de uma plataforma que aproximará pequenos produtores rurais, cooperativas rurais, permitindo que a energia distribuída chegue ao interior. “Vamos conseguir colocar o viabilizador e o financiador das estruturas em um ambiente só, para que os dois lados exponham seus interesses e possibilidades. Precisamos também focar em um marco legal para trazer segurança jurídica para o investidor”, destacou Soares.

A jornalista Geiza Rocha, secretária-geral do Fórum de Desenvolvimento do Rio, comandou painel da Alerj (Foto Divulgação) RJ pode superar MG

Hoje, o Rio possui 220 megas de capacidade solar instalada, mais de 1,2 bilhões bilhões em investimentos trazidos, aproximadamente 6.600 novos empregos gerados e mais de R$ 220,6 milhões em arrecadação de tributos ao poder público. O estado está em oitavo lugar no ranking de capacidade solar, mas tem condições de alcançar Minas Gerais, beneficiando a população com redução na conta de luz, mais liberdade de escolha e mais sustentabilidade. Minas concentra 17,8% do total do país, com 88.133 sistemas operacionais em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos em 844 dos 853 municípios, beneficiando 120.392 consumidores.

Quem mais adere à energia solar fotovoltaica são as residências, com 90% dos sistemas instalados. Então, o Estado do Rio tem condições de crescer ainda mais, ainda há muita coisa a ser feita”, destacou a coordenadora da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) no Rio de Janeiro, Camila Nascimento, durante a reunião.

Para que o setor ganhe força no estado, ela acredita que é necessário adequar a legislação de ICMS. “Por meio da Lei 8.922/2020, o Rio se equiparou às condições de Minas com relação à isenção de ICMS, mas há algumas particularidades que ainda precisamos esclarecer. Por isso, buscamos a isenção de ICMS em até cinco megas, a adequação do benefício aos componentes da tarifa de energia e o ajuste do texto às modalidades de geração distribuída”, disse Camila. Para a secretária geral do Fórum, Geiza Rocha, é fundamental discutir sobre como o setor da energia distribuída pode crescer no estado: “Nós tratamos não só de poder produzir a energia, mas também os equipamentos necessários para produção dessa energia”.

Eduardo Ávila, diretor da Revolusolar, salientou a importância da democratização dos aparelhos de captação de energia solar ao citar pesquisa feita em 2017 para avaliar o consumo de energia elétrica no Morro da Babilônia, zona sul carioca, onde a empresa atua. “Descobrimos que a maioria dos moradores está regularizada. Mas eles ficam insatisfeitos porque pagam uma quantia considerável e muitas vezes ficam sem luz por dias, por conta de chuvas ou outros fatores. O acesso à energia nas favelas é caro, precário e injusto. E a geração distribuída tem um papel de transformação social, de ressignificar o papel da favela na cidade e posicionar as favelas como pólos de energia sustentável”, destacou.