De olho nos custos, produtor rural começa a adotar a energia solar

13/02/24 | São Paulo

Reportagem publicada pelo R7

Cresce o número de equipamentos de energia solar na zona rural

A utilização de energia solar fotovoltaica aumenta rapidamente no Brasil desde 2019. Hoje responde por 16,5% de toda a energia usada no país, segundo a ABSOLAR, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, que reúne indústrias de células, módulos, instaladores e consultores do setor.

Nesse ritmo, projeções da agência norte-americana Bloomberg indicam que a solar será a maior fonte de energia do Brasil até 2050, deixando para trás as hidrelétricas, que ainda fornecem 48,8% do consumo brasileiro.

Descoberta há quase 70 anos, a tecnologia que gera energia elétrica com a luz solar evoluiu nas últimas décadas. Mas no Brasil, onde luz solar é abundante, essa tecnologia tropeçou em custos, pouca informação, falta de incentivo e regulamentações.

ENERGIA LIMPA

A busca por fontes de energias renováveis, limpas e mais baratas é mundial, mas aqui – estímulos à parte – sensibiliza e movimenta mais o consumidor comum. No Brasil, dos 2,3 milhões de sistemas de energia solar instalados, quase 79% estão em residências. Incentivo explica: o consumidor residencial pode ceder a energia excedente para a distribuidora e ganhar crédito, reduzindo a sua conta de energia elétrica.

Isso não significa uma relação direta entre sistemas instalados, geração e uso da energia. O número de equipamentos instalados nas residências é maior, mas capacidade menor. Eles geram menos de 49% da potência hoje disponível. Já os comerciantes e os prestadores de serviço detém 10,80% dos equipamentos e geram quase 29% da potência instalada, enquanto as indústrias têm 1,58% dos sistemas e geram mais de 7%. São sistemas mais robustos.

NA ZONA RURAL

De olho nos custos de produção no campo, entre eles o de energia, os produtores rurais brasileiros só agora adotam mais o uso da tecnologia. Espalhados pela zona rural do Brasil há quase 202 mil sistemas instalados (8,74% do total), gerando perto de 15% da energia. Em pouco mais de três anos aumentou pelo menos seis vezes.

É pouca a adesão na zona rural? Já foi pior. Cinco anos atrás, produtores rurais detinham somente cerca de 1% de participação na geração total de energia solar. “Com incentivos, o custo de energia para o produtor rural era a dor menor”, diz Bárbara Rubim, vice-presidente da ABSOLAR. Vai doer mais: incentivos diminuem deste ano para frente.

No entanto, equipamentos mais eficientes e uma nova regulamentação sustentam mudanças na agropecuária. Nos últimos 10 anos, o período de retorno do investimento diminuiu de 10 ou 12 anos para três ou quatro anos. Em 2023, segundo a ABSOLAR, o custo de um módulo fotovoltaico recuou entre 30 e 40%.

“Mas cada caso é um caso”, diz Edson Pozzobon, gerente de Agronegócios da BYD, gigante chinesa fabricante de células fotovoltaicas, módulos e sistemas de armazenamento (baterias), com indústria no Brasil. É preciso avaliar a relação entre custo e benefício, pois há propriedades rurais com baixo consumo, ou acesso fácil a rede de energia, ou ainda com algum incentivo… Gastam pouco.

Fora isso, ainda falta conhecimento. Não raro, quando o assunto é energia solar, ainda há quem diga “que conhece e viu aquecimento de água para o chuveiro”, lembra Pozzobon.

FALTAM DADOS NO BRASIL

Pouco exploradas pelos produtores rurais são as linhas de financiamento disponíveis para geração de energia fotovoltaica. Há recursos a juros mais baixos nos programas de financiamento do BNDES, no Pronaf Mais Alimentos, no Renovagro, no Pronamp e no Próirriga. “O produtor deve ficar atento”, diz Bárbara Rubim.

Mas é fato que faltam alguns dados sobre a real quantidade e capacidade dos equipamentos instalados e o consumo de energia solar no país. Os dados disponíveis refletem as informações dos sistemas ligados as redes chamadas centralizadas (as grandes empresas distribuidoras).

Portanto, é desconhecido o número de equipamentos e a capacidade de geração dos sistemas de energia solar desconectados da rede. Estima-se que os que operam isolados sejam 0,1% do total. É uma alternativa para produtor de regiões remotas, mas exige análise criteriosa. Estudos indicam que gerar energia desconectado da rede tem retorno mais longo para o investimento: 7 anos. Cada caso é um caso.