Energia: País demandará R$ 407 bi de investimento até 2029

06/07/20 | São Paulo

Diário do Nordeste Online 

Nos próximos dez anos, o Brasil demandará investimentos da ordem de R$ 407 bilhões em transmissão e geração de energia elétrica, segundo estimativa da Eletrobras. A expectativa da companhia é que a partir de 2024 o País precise de energia nova para suprir demanda. "Hoje, temos capacidade por conta das crises que tivemos em anos anteriores e agora com o coronavírus", disse Wilson Ferreira Júnior, presidente da Eletrobras, durante live promovida pelo Lide Ceará na tarde de ontem (2).

A companhia projeta um crescimento de 27,8% no consumo energético do País até 2029. "Precisaremos de R$ 407 bilhões em investimentos em transmissão e geração em 10 anos. Mesmo considerando a crise da Covid, há muito a construir e esse será um desafio para a gente nos próximos anos", disse Wilson ressaltando o papel do setor energético na retomada da economia nos próximos anos, gerando oportunidades para diferentes segmentos da infraestrutura.

Wilson afirmou que embora a pandemia tenha atrasado os planos da companhia, o governo deixou claro que o projeto da Eletrobras é importante para a retomada econômica e o Congresso está alinhado para a privatização da estatal. "Há oportunidades em infraestrutura que serão importantes para retomar a economia brasileira. E a privatização da Eletrobras será capaz de atrair capital do mundo inteiro para o nosso País", disse.

Com relação ao futuro da geração de energia, Wilson Ferreira aposta em fontes como a solar fotovoltaica e eólica que, juntas representam 43% da capacidade a ser instalada à matriz brasileira nos próximos anos, considerando apenas os empreendimentos já em construção. "A energia solar e eólica no Brasil ficaram muito mais baratas nos últimos anos, com uma queda de 60% nos preços ante os valores de 2014. E a capacidade solar e eólica cresceu muito na última década", disse.

O presidente da Eletrobras vê a geração distribuída (modalidade na qual o consumidor também gera energia para si e para a rede de distribuição) como uma tendência natural do setor. "Eu não tenho dúvidas de que a fonte solar veio para ficar. Ela é acessível, tem valores competitivos. Mas isso não garante que você pode ser independente da distribuidora", disse. "A tendência é o consumidor gerando sua própria energia".

Privatização

Na quarta-feira (1), o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercado do Ministério da Economia, Salim Mattar, informou que a modelagem para a capitalização da Eletrobras está em fase final de elaboração.

Ele pontuou que as bancadas do Norte e Nordeste têm influência forte sobre a estatal e, por isso, o processo de formatação passa pela participação do Parlamento, que precisa autorizar a capitalização da empresa.